M. encontrou oque tanto procurava numa segunda-feira dourada em pleno dia de Luna. Almejava poder conquistar isso que tanto precisava, passou dias de aflição no simples ato do pensar, até que chegou como desejo realizado. Na noite ela frequentava ambientes com exus e pretos velhos e se admirava em vê-los andando pra lá e pra cá com certo proposito, a luz da lua cheia fazia sombra sobre as cabeças; o dinheiro estava no chão mas ninguém se atrevia a pega-lo nem mesmo os moradores daquele lugar assombrado.
Chegou como se fosse obvio, K. era seguro de si e andava com claridade em cada passo que dava, acenou, virou a esquina e foi direto pedir um copo de água da torneira em um bar fétido cheio de pessoas alegres e vivendo o presente com perseverança, ja que para eles o dia começava na segunda; K. esperou por um bocado de tempo, não sabia com exatidão o tempo valioso que estava perdendo pois seu relógio acabara de ser perdido e não lhe restou nem memoria do ocorrido, o conceito de tempo para ele foi-se perdendo a cada pessoa que entrava no bar, os fregueses que entravam todos olhavam no fundo de seus olhos sem gesticular uma palavra sequer. M. entrou, finalmente à procura daquilo que precisava: K. e entidades; ele viu-a, porém, M. não retrucou o gesto e foi diretamente ao encontro de mais importância.
-Você realmente sabe todos os segredos obscuros que eu desconheço, é verdade. -afirmou M. com grande titularidade à entidade.
-Eu desconheço as palavras, eu estranho e repudio qualquer palavra que se direcione à mim; lhe ofereço dor e miséria se queres.
-Não foi palavras oque lhe disse, foi algo além disso, eu gostaria de entender a historia da historia, de saber o saber.
-Tola e inútil. -respondeu a entidade de maneira sutil-
K. olhava a situação rindo pela máscara da cara, por dentro sentia sede e uma vontade imensa de interferir, mas não o fez por medo. Sua água todavia não chegara, para ele haviam se passados dias desde que entrara no bar à procura de água da pia, ele não entendia o porque de toda a espera por um misero copo d'gua; a angustia começava a tomar o sangue de seu coração fraco quando M. chegou com o olhar em pedra e um gingado inesquecível, K. estava lisonjeado de ser uma opção no cardápio de M.
-Você trabalha com o que afinal? -perguntou M. como repórter de noticia falsa-
-Sou gerente de condenados
-Que maçante...
-Nem um pouco, isso faz de mim alguém importante, quando meu chefe morrer vou ser chefe dos condenados! -afirmou K. se auto bajulando-
M. virou sua cabeça para a esquerda e se entregou a um quadro completamente preto, intrigando-se o por quê, porém logo entendeu e ficou calada a olhar ignorando completamente a presença de K.
-Sirvo muito bem para matar o tempo, as vezes me sinto como uma pedra de crack que ainda não foi completamente fumada. -disse K. porquanto M. ainda mantivera o silencio inquieto-
As palavras viraram apenas ruído branco, as pessoas já não eram pessoas, a água que K. tanto procurava nunca chegou, M. gozou de tudo já que não estava presa a nada, mas ainda assim nunca satisfeita com o gozo. Os dois pensaram ao mesmo tempo que não precisavam daquilo, mesmo assim os pensamentos não viraram palavras, nada foi concretizado de fato como também nada foi nem ao menos construído. M. foi embora e K. se manteve na sede de um deserto à noite, o dia chegou com sua nova doçura amarga sem relógio, ainda assim com pressa tremenda de outro domingo de sol.