o elefante do bairro do Glicério foi acompanhando os choros e prantos das moças que caminhavam, subindo e descendo aquelas ruas antigas cheias de relíquias enterradas sob o concreto cruel do meio-dia. o grande animal ja fez presença em vários outros carnavais de velório naquela mesma rua sem nome, com aquela tromba e aqueles dentes pontiagudos que fazia o espanto dos transeuntes que davam passos medrosos ao estar no mesmo ambiente que aquela besta enorme. ninguém sabe ao certo como aquele animal foi parar no bairro, alguns dizem era presente sagrado trazido por Hermes; o resto apenas aceitava-o como elefante do bairro. ele não tinha nome nem idade certa, a única certeza que tinham era que o elefante sempre estava para consolar em dias sombrios e alegres, o elefante fumava e bebia muito sempre que recebia oferendas de charuto e vinho, adorava também roubar grandes comércios e deixar todos espantados vendo-o beber todo o estoque de vinho e outros alcoólicos que estavam a sua disposição.
foi morte o que causou tudo, a podridão de seu cadáver fedeu por mais de mês no Glicério e as moscas imundas... nenhuma autoridade fez nada à respeito do cadáver, quando virou osso só restou sangue seco e as moscas sugando até o último resquício de alma que ainda restava na rua sem nome em frente a casa 62. ninguém lamentou, não ouve velório, apenas tiveram que suportar o odor por 2 meses, passou bem rápido; hoje em dia quando passo pela mesma rua em que ele morreu vejo vários bacanas com seus carros rápidos, diversos prédios modernos, luzes led por toda parte, crianças fumando cigarros achados no chão, comércios dos quais os donos são estrangeiros, puteiros da máfia coreana; não sei ao certo se é preciso chorar a morte do elefante, mas todas as vezes que vou ao trabalho de manhã e passo pela mesma rua sem nome em frente à casa 62, paro o passo e fico por umas meia hora lembrando de como poderia ter sido diferente, fumo, apresso o passo nostálgico pois não posso chegar atrasado já que o gerente novo é perverso e tem prazer em descontar metade do salario degradante que eu aceito por puro medo de não conseguir comer feijão e arroz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário