segunda-feira, 29 de setembro de 2025

 o elefante do bairro do Glicério foi acompanhando os choros e prantos das moças que caminhavam, subindo e descendo aquelas ruas antigas cheias de relíquias enterradas sob o concreto cruel do meio-dia. o grande animal ja fez presença em vários outros carnavais de velório naquela mesma rua sem nome, com aquela tromba e aqueles dentes pontiagudos que fazia o espanto dos transeuntes que davam passos medrosos ao estar no mesmo ambiente que aquela besta enorme. ninguém sabe ao certo como aquele animal foi parar no bairro, alguns dizem era presente sagrado trazido por Hermes; o resto apenas aceitava-o como elefante do bairro. ele não tinha nome nem idade certa, a única certeza que tinham era que o elefante sempre estava para consolar em dias sombrios e alegres, o elefante fumava e bebia muito sempre que recebia oferendas de charuto e vinho, adorava também roubar grandes comércios e deixar todos espantados vendo-o beber todo o estoque de vinho e outros alcoólicos que estavam a sua disposição. 

foi morte o que causou tudo, a podridão de seu cadáver fedeu por mais de mês no Glicério e as moscas imundas... nenhuma autoridade fez nada à respeito do cadáver, quando virou osso só restou sangue seco e as moscas sugando até o último resquício de alma que ainda restava na rua sem nome em frente a casa 62. ninguém lamentou, não ouve velório, apenas tiveram que suportar o odor por 2 meses, passou bem rápido; hoje em dia quando passo pela mesma rua em que ele morreu vejo vários bacanas com seus carros rápidos, diversos prédios modernos, luzes led por toda parte, crianças fumando cigarros achados no chão, comércios dos quais os donos são estrangeiros, puteiros da máfia coreana; não sei ao certo se é preciso chorar a morte do elefante, mas todas as vezes que vou ao trabalho de manhã e passo pela mesma rua sem nome em frente à casa 62, paro o passo e fico por umas meia hora lembrando de como poderia ter sido diferente, fumo, apresso o passo nostálgico pois não posso chegar atrasado já que o gerente novo é perverso e tem prazer em descontar metade do salario degradante que eu aceito por puro medo de não conseguir comer feijão e arroz.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 Senhor Morte diz que é Verdade.

É verdade, tudo se acaba e tudo se vive para Morrer, animais, plantas, frutas, festas e planos também. Se ele disse que é Verdade eu acredito em todas as suas palavras mórbidas, todo esse vento no ar me deixa feito peixe fora da água, sufocado no frio imprevisível que é morar em Capital de Estado, vento que leva, vento que traz. Todas aquelas folhas secas no meu quintal, todo o caminho percorrido por elas até chegarem ao meu encontro, para que eu finalmente as varra feito o grande nada mortal.

FATAL, foi oque ele disse após sair do quarto ou vagão escuro em qual estávamos nos abrigando do frio cruel da noite, me deixou com grande dor no peito quando ouvi o fechar da porta, aquele estralo medonho pareceu tiro à queima roupa, não qualquer roupa, roupa branca que mancha com sangue seco, que não lava nunca não importa o esforço colocado. Saí dali quase como que um condenado à espera da morte que não chega nunca, fui ao encontro da rua asquerosa que me rodeava, avistei luzes nos postes e senti um calor demoníaco pairando no ar e na mesma hora fui em busca dos prazeres que a carne tem para me oferecer. Um lugar sem nenhum amparo, sem amizade, simplesmente terror em plena noite, a moeda sendo claramente ouvida de bolso em bolso, parentes importantes não estavam presentes, porém, seus herdeiros estavam gritando feito loucos de manicômio pra lá e pra cá, com semelhança tremenda as dos cachorros do centro, cada qual no seu bando designado, mecanicamente introduzindo diferentes tipos de substancias em seus corpos frágeis e delgados. Meticulosamente ignorando suas próprias respirações, escolhendo alternativas mais sanas como por exemplo pílulas prescritas por dentistas ou farmacêuticas de confiança. Pouco caso fazem de mim quando chego ao local, apenas mais uma formiga que chega no meio de centenas, sedentas por algo, algo que não se encontra dentro de suas casas, algo podre, no ápice da sua decadência predestinada, elas esperam que este lugar as preencha, parei e ri enquanto chovia e todas elas corriam feito cavalos do Apocalipse.

21:01 26/09/2025 

sábado, 20 de setembro de 2025

Preso

 Preso naquele perfume, no semblante sem muita expressão quando sai da estação, e verifiquei que havia algo ali, algo novo, nunca jamais visto pelo homem. Algo que cria, que prende, alguns até alucinam so pelo olhar fascinante daquilo, não sei como descrever exatamente em palavras, mas sei o sentimento de quando lembro do aroma; uma noite de chuva em cama de solteiro bem pequena esmagando dois corpos, que naquele momento estavam ali somente como corpos e nada mais, suas mentes, ja haviam ido-se fazia algum tempo. As vezes me volta toda essa memória do cheiro do perfume, perfume do qual não sei absolutamente nada sobre, não sei seu nome, seus diferentes aromas e nem ao menos do que é feito, ja que não existe a necessidade de sabe-lo, a única opção é senti-lo.

Sentir me faz sentir preso, engaiolado, sem saber exatamente o que fazer com isso, sem nenhuma escapatória a não ser sentir, é algo que me irrita, entristece, faz-me sorrir, delirar, amar; gostaria somente de chorar por chorar e rir por rir, sem um sentimento atrapalhando estes simples atos. Mas realmente não haverá mudança no quesito sentimento, apenas no modo de se lidar com eles, parece tão vago isso que acabo de ler, algo que não se põe rótulo, uma sinapse se comunicando com outra faz um efeito gigantesco por menores que sejam essas ditas cujas sinapses, elas fazem grandes efeitos. Me fazem entrar em bares que jamais ouvi falar com pessoas estranhas, sem luz, apenas uma luz avermelhada bem perturbadora, que logo vejo e digo que quero sair, mas não posso pois o bar que acabo de entrar é a minha própria Mentira, ou mente, qualquer que seja o nome atribuído a ela pouco importa, o que realmente importa nesse bar sujo é que existem lugares que eu nunca entrei, por preguiça, por medo ou talvez pela simples ignorância de não querer saber, a mais linda estupidez de todas elas. Você é tão linda, tão sensual, tão casual, simples e complexa, dois mundos diferentes em um só, que asco que pensar nisso me traz, mas ao mesmo tempo é tão gostoso é tão natural, me sinto uma árvore, parte de algo maior que eu, um impulso que vai além de mim mesmo e das minhas vontades idiotas, faz-me percorrer distancias enormes para sentir esse algo. 

Ainda assim o colar com qual carrego minhas chaves de casa não sai de meu pescoço, ja tentei de todo jeito maneira retira-lo, ainda sem êxito, me sinto preso? Me sinto só, somente comigo mesmo, sem outra distração ou pessoa para com qual aniquilar toda essa ânsia, esse tédio patético, porém lindo ainda assim. As vezes me vem a cabeça, eu poderia capturar, assim como o Capturador de Odores Tabaco captura o odor do tabaco deixando no ar um odor de perfume de homem de meia idade que não sabe o que fazer com sua vida, poderia capturar aquele mesmo perfume e deixa-lo totalmente diferente, ainda não sei como fazer e nem sei se quero, ainda assim é um pequeno devaneio que vem vez ou outra a meu encontro. Eu poderia roubar todas as flores da esquina, poderia, porém não quero acabar com a árvore por isso pego apenas um punhado de flores, para que novas possam vir e eu vá lá e as colha. Eu me sinto um rebanho e ao mesmo tempo o pastor, mas quem é o pastor do pastor? Ainda não encontrei resposta e creio também que nem ao menos haja resposta a essa pergunta previsível demais para ser respondida, o ponto é: Estou vivo ainda e amanhã é um novo dia disso tenho certeza mais que absoluta!

23:44 20/09/2025


 

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Veneno

 Retrate-se, com pessoas, contigo, faça as pazes e deem a mão, aceite o perdão, negue-o; isso são escolhas que nos trancam em caixas tão escuras que achamos que estamos vivendo no que chamamos de Vida, realmente de um certo ângulo pode-se até chamar de vida isso, uma vida cheia de precipitações sobre meias verdades. Uma vida sem Amor no coração, ego ista, adicione um "n" e ela se torna instagram, pouco importa, pouco caso há de se fazer sobre tudo e ao mesmo muito caso dependendo do Tudo de qual estamos falando, do tudo terrestre, ou do Tudo Além. Isso é claramente complexo já que não somos espirito, somos carne, sentimento, mas o nó que me dá na orelha sobre esse tudo terrestre, fico até sem vontade de elaborar, parece tão pequeno, como se estivéssemos noticiando que uma formiga morreu, para nos, humanos, pequeno claro, agora para as formigas seria um dia melancólico.

As noticias trágicas que passam no tele diário quase que diariamente que mal vemos ou ouvimos, somos como as formigas no fim, talvez menos eficientes que elas e em menor número também, macacos que fedem que tem mais que cinco sentidos, mas que ainda assim escolhem (as vezes nem por escolha própria mas por por dogmas que nos acompanham desde infantes) ficar de certa maneira presos em três ou quatro e clamar bem alto que "Isso é a Vida!". Algo que não lava, tatuagem. Acho que por isso prefiro tatuagens falsas do que as reais, por mais "rasas" que sejam, sem máquina, sem alguém furando a tua pele com pequenas agulhas. Trabalho! Serviço! "Eu sou-", me faz querer vomitar mas não consigo, por mais que eu coloque o dedo no fundo da boca, simplesmente não sai nada dali.

Me envenenaram com o veneno, o veneno de tudo.

11:59 18/09/2025

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Arte

   O eterno homem arte, aquele que nunca morre, imortal. Sente prazer somente em fazer e nada mais, produzir até que todo o suco de sua alma seja verdadeiramente exposta em sua obra. Porque a única forma que ele tem de estar no plano terrestre depois que essa roupa de carne apodreça é fazendo Arte, por que ela existe e para onde vai?  Qual a razão de perder-se este tão valioso tempo que se tem nesta auto chamada Terra em que habitamos com Arte? É fato, o homem é uma gota de água no oceano que é o universo, uma gota muito vaidosa e "pensante", pensa tanto que as vezes se torna até seu próprio inimigo; extermina seu próprio povo, deixa milhares famintos e cria as mais potentes e avançadas máquinas de extermínio Próprio, so para que no fim, ainda haja resquícios de Arte em meios aos escombros. Resquícios Eternos, por mais sangue que se derrame, florestas que vós queimá-lo-íeis, enfim, Desgraças  que ocorram, o x é também o y, o Alpha e o Ômega, etc. no fim só nos resta Arte, nossa única chance de talvez tentar ser eternos, assim como somos baseados na imagem de Deus, queremos ser Eternos como ele, mas isso é impossível no plano em que habitamos, então nossa única forma de tentar é esta. Se Vivaldi jamais tivera escrito seus concertos será que saberíamos quem é ele? A resposta é um firme, não, a forma mais próxima de se estar perto do divino é Arte, seja ela "bela" ou "horrenda", no fim essas duas palavras tem muito pouca significância no aspecto geral das coisas, um mendigo na rua pode ser apenas um mendigo, mas se ele estivesse exposto em uma galeria de "arte" refinada com pessoas importantes admirando aquela barraca, que no começo era apenas um refúgio sem muito brilho mas que agora com a mudança de ambiente se torna "arte", arte produto, mercado, venda, valores, isto é triste no mínimo; é o próprio ser vendendo sua Alma, as vezes mais que isso, para ganho material que quando ele morrer não levará nada. A grande ironia dessa do mercado de arte é que pouco importa o mendigo, pouco importa o valor, esforço (me sinto até puritano falando isso), mas ainda assim a única coisa com que este mercado humano se importa é o valor monetário e não o Valor que vai além do cifrão. A Arte como produto não faz nem sentido, ou na realidade talvez faça e muito para pessoas que lavam dinheiro, já que se é o produto perfeito, sem significância alguma; sem Alma. 

Quando caminho e vejo pedaços de lixo no chão e os encaro cara-a-cara me faz sentir mais sentimentos do que numa galeria refinada com pessoas bem vestidas e eloquentes, pois, toda essa eloquência não passa de uma tamanha falsidade, máscara sem nenhum tipo de sentimento, é capaz de não terem nem Alma. Mas quem sou eu para ditar quem tem e não tem Alma, sou apenas mais uma gota de água nesta grandiosa e pequena dimensão que é o Cosmo, pensar nisso tudo me traz uma paz de Espírito verdadeira, saber que não importa e ao mesmo tempo importa, que tudo é miragem distante e esfumada, mas no fim desta miragem ainda temos Arte. 


16:20 14/09/2025


Super maconha

 a Super maconha, a mãe que fuma maconha, a Super Mãe. Conceito lindo, porem, somente sonho passageiro e mal lembrado chega ate ser esfumaçado de certo modo, a Super maconha se espalha pelo ar poluído feito fogueira em dia de arraial e o cheiro: alguns acham incrivelmente refinado em todos os seus diferentes odores, já outros leem Salmos e rogam.

  Sempre desprezei os odores de cigarro  e Super maconha, hoje em dia, fumo diariamente. Foi algo quase que entregue-me de bandeja de prata com diversos talheres bem lustrados que eu nao sabia exatamente para o que serviam, mas mesmo assim me deixei levar pela gula e comi feito cerdo. Cerdo, animal que come animal, que come lixo, que come Humano, que já não é Animal; Humano é Humano oras, é algo Superior, criador de invenções como, a Super maconha, bomba atômica, gás mostarda, traficar "humanos" etc. nos somos o exemplo à ser seguido por todos os animais.

  Certa tarde acordei de ressaca e mal humor, o resultado de todas as toxinas que coloquei dentro do meu Rim, oh... meu pobre Rim, que me acommpnha desde criança e que hoje em dia tem de vez em quando (quando há crédito no banco) ele se envenena e se mata.

Não sei bem ao certo o Espírito que acompanha-me, mas sei de que ele adora e se deleita em ver-me em estados de consciência que jamais pensei em chegar, cambaleando, gritando por ruas que ja nem sei mais o nome, correndo atrás de bicicletas de madrugada; ele estava sempre ali, o meu mais nobre e fiel escudeiro, pois homem que confia em homem tolo é. Homem que confia em Espírito, não digo que não seja bobo também, porém Humano é carne e Espírito é Além, muito mais além mesmo da carne; mesmo que ele ria e te despreze por ser um ser tão pequeno, ridículo e limitado, ao menos ele está Além deste plano te deprezando e não olhando no fundo do teu olho e te caçoando. Espírito é amigo, mas não o tipo de amigo que a mente mentirosa cria, ele é a própria essência da amizade, pura, nem bom, nem mal, mas simplesmente É, você querendo ou não, desacreditando ou acreditando, pouco importa. Todas as pessoas que passam e passaram pela jornada que é a vida, no fundo sabem que não é somente esta grande mentira que nossos olhos veem, e que nossa mente cria, por isso tantas religiões, tanto ódio, tanta distração, tanta Super maconha. "Ainda que eu ande pelo Vale da Sombra da Morte, não temerei mal algum, pois, Tu estás comigo"; Humano, meio Espírito meio carne, um ser deslocado em seu proprio mundinho pequeno e isolado de tudo e todos, sem raças diferentes da nossa, Sapiens, único membro vivo da espécie dos Homo, o autoproclamado Inteligente, porém, que não passa de um madrigaz, chiliquento e insolente. Mas, isso tudo que escrevi é tão óbvio, tão pequeno, pois, no fim o grande peso de se existir neste plano é o tal de sentimento, é como piscar os olhos, involuntário. Até que um certo dia tudo com o que nos lamentamos e rimos se vai, a grande recompensa, a dívida de Deus com Nós, o seu presente, Espirito.

O Sol começa a raiar num dia ainda escuro que vive na ambiguidade, nem dia, nem noite, talvez a palavra certa seria o amanhecer; palavras, infinitas, múltiplas composições de palavras, verbos e tudo isso que se vem com escrever textos, parece pequeno e é por que realmente é, mas essa é a Grande questão, o Pequeno, o disco que embola, passar fio dental, roubar flores, parece estúpido eu sei, porém essa é a charada. Viver no Pequeno e não no "grande", nos somos seres pequenos que não passam nem ao menos dos três metros de altura, nossa mente extremamente refinada mas que  não consegue conceber a infinidade do Universo ou na Cabalá, Kether. Simplesmente não é possível querer compreender o que vai além do plano tridimensional estando preso no mesmo plano. Por isso tantos e tantos escapam  das mais diferentes maneiras, isso me encanta, o jeito que cada um acha a chave, não para escapar, mas para simplesmente viver e passar cada dia, a Grande-pequena expêriencia humana. Os sonhos, as mentiras, as verdades, as meias verdades; o luxo e a pobreza, a Mente mente, a própria palavra ja diz.

 As vezes quando caminho pela minha rua e vejo os mananciais de água que sobem pelo pavimento, que clamam, que gritam, assim como as arvores ao lado das rodovias e as casas de beiras de estrada, decadente.

06:11 13/09/2025


Cruel

 acordei fui limpar as fezes animalescas do meu gato e cachorra respectivamente, o cabo da vassoura, quebrado, entrou na posição perfeita para rasgar meu indicador esquerdo de uma maneira que eu nunca antes pensei que fosse possível de se acontecer. Gritei e esperneei feito criança que come pimenta;

-Cadê a mamãe?! Cadê a mamãe?!

-No quarto, por que?

-Me cortei muito chame-a!

Comecei a limpar as gotas de sangue do chão na frente dela como se fosse meu caminho de vida, quase como se aquilo fosse meu único propósito como filho.

-Pare!

Ela me disse, continuei da mesma maneira robótica com qual meu pai passava pano no chão, soltando xingamentos e grunhidos estranhos ao ar.

Não sei bem ao certo mas me veio a cabeça certos devaneios EM RELAÇÃO a todos os meus relacionamentos com mulheres, comecei a enxergar a própria Oroboros, saindo de um e indo quase q instantaneamente para o outro, sem tempo de espera, sem meditação, apenas uma troca automática. Robótica, um aviso divino, provavelmente lei da ação e reação. Me sinto um cão buscando pelo osso perfeito, meu dono, que é um dono extremamente generoso comigo me lança pedaços de coxa de frango quase que inteiras e eu as devoro quase que no instante, por medo de ele parar de me atirar mais pedaços. Um cão deveras carente, fato, um cão que somente quer mais e mais carne, que tem muito medo do sereno da madrugada ja que a minha tenda esta quebrada e a qualquer momento posso me tremer de frio sozinho, chorando e me lamentando por não haver comido aquela coxa de frango mais devagar ou talvez ter apreciado mais o sabor.

Mais rapidamente desperto do sonho inquieto de cão e vejo que sou humano em carne, com Deveres e Dogmas a serem seguidos com rigidez absurda, que eu mesmo coloco em cima de mim, com vícios que nem ao menos são meus, mas passados meticulosamente de geração em geração quase como que um ritual bizarro e medonho de sociedade secreta. Quando olho as paisagens, o céu, o sol, a lua, e digo a minha garota que eu poderia dar tudo isso e mais, minto, não para ela mas para mim mesmo, uma sociedade que é baseada no romantismo no amor ciumento, de possuir um ao outro até que a outra pessoa ou se mate ou vá correndo e nunca mais volte aos meus braços; algumas dessas garotas me dizem:

-Você é cruel.

Eu fico sem resposta, sei ser cruel, sei ser romântico, sei ser oque elas querem que seja, sou quase que uma fabrica de máscaras, creio eu que somos todos assim ate certo ponto, pois é algo imposto pela nossa sociedade, é necessário matar a sociedade, do mesmo jeito que é preciso matar a ideia de mãe ou pai, essas pequenas prisões que nos mesmos criamos para nos, prisões quentinhas e confortáveis das quais nunca queremos sair, ja que, sair delas nos faria opor a tudo que nos foi imposto antes mesmo da nossa concepção de mundo. Sem escapatória, sem saída, sem ninguém a nos dar ouvidos, assim como o cachorro que chora de madrugada, e ninguém ouve, somente pessoas que estão na mesma situação do cão. Acho que ate estas pessoas não conseguem ouvir realmente a agonia do choro canino, talvez pensem que sabem mas na realidade não passa de ficção de suas próprias cabeças.


De você para quem

Da ultima vez que eu vi, ja não sei quando foi e também não sei onde era, talvez fosse num bairro que já não me lembro o caminho; são tantos...