EU amo e gosto muito de todas as coisas que o outro faz, aprendi que eu não crio nada mas sou um ótimo consumidor, não mando em ninguém mas adoro que mandem em mim, sou passivo perante a vida!
Não sei ao certo ao mesmo tempo que sei exatamente o que quero: consumir, consumir até que não reste absolutamente nada, nenhum resquício para que depois possam averiguar durante uma exploração arqueológica, quero algo que apenas EU possa possuir e mais nada/ninguém; momentos os quais apenas EU vivi, coisas que somente EU fiz, EU sou meu próprio deus do Consumo. Não crio nada apenas consumo, cada minuto que passa eu vou aniquilando e expurgando com minhas próprias palmas em um local inóspito, porém, para meu alívio não sou eu o seu criador, alguém posterior à mim já o fez muito antes de eu ao menos ser concebido em vida. Alguém que sabe exatamente o que eu preciso, ele se importa comigo como um pai e me cuida como mãe, todos os dias quando acordo ele está lá esperando eu tomar o próximo passo para que ele rapidamente possa me vender o consumo do qual preciso e me é tão precioso.
É certo que sinto-me preso, sem autonomia, mas por que se preocupar tanto sobre as coisas já que pode-se perder no grande mar do consumo, e flutuar, deixar que as belas ondas do oceano toquem na tua pele com leveza, e que as suas ondas te levem à praia mais bela em qual já pisastes, em qual seus pés nunca sentiram algo parecido antes, a experiência além do horizontal da vida, o consumo. Dar de si completamente, sem hesitar, imagine você na cama e que a cama consome-se ao mesmo tempo que seu corpo é consumido pela cama, tudo é uma troca no consumo, mundo nem muito real nem muito irreal, mas sim ideal, algo confortável de fácil entendimento que todos praticamos. Ela é mesmo tudo que eu almejei querer ter ao meu lado, ela não sabe que eu consumo, ela acorda cedo e cria, talvez vez ou outra ele consome, eu sou consumo que consome tudo.
Como você faz falta.
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