terça-feira, 14 de julho de 2026

Enquanto a vela derretia no quarto gelado o senhor A.M espreitava por uma fresta que havia em sua porta velha, observava a vida lá fora, os passáros gritando, as máquinas construindo: cada qual com seu silencioso peso nas costas. A.M olhava tudo aquilo com fascinação infantil, como se nunca houvera visto o mundo, e de fato nunca havia saído de seu pequeno castelo velho hacia o mundo que o esperava de braços abertos, pois ele tinha medo, tinha medo que notassem que seus dentes eram podres, que sua pele estava suja fazia anos e tinha esse medo exatamente porque já viu seus exatos medos serem vividos por outra alma, isso lhe trazia uma angústia inmensa que fazia-o trancar-se para nunca ser visto. A verdade era que ninguém realmente se importava se A.M saia ou não, nada iria mudar, as pessoas iriam continuar indo trabalhar, os bebês continuariam nascendo, os velhos continuariam morrendo, no máximo alguem iria lhe reconhecer e iria ficar por isso mesmo. Porém A.M continuava a nutrir seu pensamento mesquinho, ele achava que assim pelo menos alguém teria pena dele e invadiria seu repudiante castelo, nada nunca aconteceu, A.M com o passar dos anos mantinha a crença de que algo aconteceria, nada aconteceu, cada mês que passava jurava e rogava à Deus, porém tudo se mantinha exatamente como estava e a mudança que tanto esperava não caía do céu. E de fato nunca caiu, somente a chuva e a neve, cada dia era exatamente igual o anterior, a unica coisa que mudava era o ponteiro do rélogio que já não fazia mais sentido para ele; nada mais fazia sentido ao senhor A.M, passava a maioria dos seus pobres dias chorando ou com uma raiva descontrolada.

Sem nem ao menos saiu à ver o mundo, se encantou com os lagos e com os rios, mas quando viu o mar ele realmente ficou louco, A.M não entendia como algo tão perfeito estava colocado em um mundo tão imperfeito. A.M não perdeu muito tempo com as águas e foi direto à uma cidade chamada Sé, lá era onde se concentravam a maior parte dos humanos vivos, lá era onde havia trabalho e todas as tecnologias que o ser humano havia criado até aquele momento. Conheceu um grande amigo lá, Sr. R., se conheceram por acidente enquanto A.M estava em busca de ópio, Sr. R. era vendedor de ópio e assim nasceu uma bela amizade, passavam o dia inteiro fumando e sentados em suas respectivas camas de ópio, riam, prozeavam sobre a vida naquela cidade que mais parecia um inferno, mas a cada trago que davam se esqueciam de suas dores solenes dentro da lindíssima casa do Sr. R.. Passaram-se 4 meses desde que A.M conhecera o Sr. R., os dois estavam magros e doentes, a amizade que um dia tiveram estava decadente como seus corpos, A.M precisava de mais e mais ópio para sentir o mesmo gozo como o da primeira vez que fumara, porém, nunca chegava lá, irritado com Sr. R., que já estava cansado de sustentar A.M pois estava lhe causando um prejuízo enorme, se negava a dar-lhe mais; A.M pegou uma faca amolada e afiada e perfurou 33 vezes o corpo delgado do Sr. R., R. não tinha forças para o contra-ataque, então simplesmente deixou-se morrer na mão daquele viciado. A.M fugiu rapidamente da Sé, sem antes roubar todos os pertences e ópio do finado Sr. R., se abrigou em uma cidade vizinha chamada de Alumínio e lá ficou; liquidou "seu" ópio em menos de uma semana dentro de uma lixeira que havia encontrado, quando finalmente ficou sem nada decidiu voltar ao seu castelo e isolar-se novamente, a dor era demasiada para continuar a vagar pelo mundo frio que era aquilo tudo fora de seu castelo.

Lá ele era ninguém, lá ele era o nada e o tudo, lá era onde se sentia verdadeiramente bem, já não se importava se vida continuaria sem ele, pouco caso fazia da vida e da morte, lá era seu lugar.

sábado, 27 de junho de 2026

 Fui dormir, putaria, sangue de lua cheia. Salvador cheia de sangue; ela falou - ensanguentada - para Morte que era super barra pesada, que fumava cigarro, que comia todas as meninas da cidade, trabalhava lá em Itapuã, gostava de lá, do farol... A maconha estava sempre presente completamente alegre, desprezível. Morte matou muita gente, muita mesmo, e mesmo assim continua vivendo essa vidinha de bosta, parado na esquina à vadiar com aquele maldito cigarro de maconha na boca seca dele. Minha pena por ele era grande, a ultima fez que a gente se viu foi hoje e ele disse assim: Tenta não fazer barulho na sombra pra num chamar saci. Eu falei que se foda o saci, se ele quiser que venha, que eu lhe fecho numa garrafa de vidro de tampão. 

MORTE

Morte morreu pouco tempo depois de hoje, faleceu em São Paulo capital, às vinte uma horas desta segunda-feira. Foi baleado à queima roupa por um pai de uma das garotas que ele comia, Patrícia, garota repousada que não falava muito, gostosa e gostava de ir a lugares lindos, seu lugar favorito era Isla de Maipo no Chile. Lá ela se casou e teve dois filhos adoráveis e exagerados. 





02:12am 

terça-feira, 23 de junho de 2026

wo ai ni

   Foi descrito, muito antes da criatura, que certo dia as coisas mudariam e que os tempos chegavam ao fim. O Fim, prezava com que já na época dos homens, poderia ele voltar ao local que tanto desejara chegar, seu sonho, seu sonho que ninguém jamais poderia saber, nem mesmo sua eterna amada Amaterasu; seu brilho era cegueira, seus olhos puro fogo, ausente de saudade. Ausente, estava o Fim, cada tempo que se passava, uma duvida lhe recorria à cabeça, se ele fosse retornar de fato ja nada mais estaria lá, todo o tempo se mataria, todas as mais belas praias ja não estariam lá. Somente póstumas lembranças de um tempo que se passou, assim como as ondas do mar que nunca são iguais umas das outras, nessas mesmas ondas que passavam, -Ele e Amaterasu-  juntos olhando a vasta longitude daquele pequeno planeta tão frágil, tão fora de tudo que haviam presenciado em um futuro ou um passado ambíguo. Apesar de tudo estava ansioso para vê-la e de certa forma tentar lhe espelir seu segredo; Amaterasu com todo seu conhecimento pelas coisas de tudo e regente do Sol, obviamente ja sabia de seu segredo, seu segredo amargo, frágil e doce. 

O Fim se encontrou com Ela em um dia extremamente chuvoso na rodovia Raposo Tavares, de mãos dadas, soltando beijos ao ar. O sereno da madrugada foi refrescante e os dois estavam em plena paz, paz que jamais haviam sentido antes, sobrevoaram a cidade inteira, foram à Perus, depois ao Jabaquara, finalmente terminando seu trajeto em Santana; foram momentos inesquecíveis os que passariam juntos com tudo oque desejavam, Fim. Fim de tudo, Recomeço de tudo no fim o tempo passa em rapidez absurda que ate mesmo o mais sacro, o Amor, renasce nas formas mais belas com qual somente o Amor faz crescer, Vênus, com todo seu esplendor nos presenteou com esse maravilhoso estado, tão inexplicável que somente palavras não explicam sua complexidade.

Fim.  


domingo, 17 de maio de 2026

 Dou-me completamente ao todo e deixo que o nada aconteça, sou semente da vida e fruto da morte. 

Gosto do cheiro da cara, na esquina da tua casa vi bruxas e não me assustei, muito pelo contrário, fiquei satisfeito. Ainda lembro da fotografia que tirei, do retrato da sombra mansa e bela no qual refletia o vazio do sol, fiquei triste. Apesar de tudo me considero feliz por fora, embora não reflita na carne, ja que não me resta muita noite para continuar. 

domingo, 3 de maio de 2026

 Troquei o celular pela TV

Troquei a TV pelo sofá

O sofá troquei numa pedra de crack 

Troquei o crack pela saudade 

Troquei a saudade pela morte 

Troquei a morte pela inveja

Troquei a inveja pelo desprezo 

Troquei desprezo em droga 

Troquei droga 

Sou traficante.

terça-feira, 28 de abril de 2026

 EU amo e gosto muito de todas as coisas que o outro faz, aprendi que eu não crio nada mas sou um ótimo consumidor, não mando em ninguém mas adoro que mandem em mim, sou passivo perante a vida!

Não sei ao certo ao mesmo tempo que sei exatamente o que quero: consumir, consumir até que não reste absolutamente nada, nenhum resquício para que depois possam averiguar durante uma exploração arqueológica, quero algo que apenas EU possa possuir e mais nada/ninguém; momentos os quais apenas EU vivi, coisas que somente EU fiz, EU sou meu próprio deus do Consumo. Não crio nada apenas consumo, cada minuto que passa eu vou aniquilando e expurgando com minhas próprias palmas em um local inóspito, porém, para meu alívio não sou eu o seu criador, alguém posterior à mim já o fez muito antes de eu ao menos ser concebido em vida. Alguém que sabe exatamente o que eu preciso, ele se importa comigo como um pai e me cuida como mãe, todos os dias quando acordo ele está lá esperando eu tomar o próximo passo para que ele rapidamente possa me vender o consumo do qual preciso e me é tão precioso. 

É certo que sinto-me preso, sem autonomia, mas por que se preocupar tanto sobre as coisas já que pode-se perder no grande mar do consumo, e flutuar, deixar que as belas ondas do oceano toquem na tua pele com leveza, e que as suas ondas te levem à praia mais bela em qual já pisastes, em qual seus pés nunca sentiram algo parecido antes, a experiência além do horizontal da vida, o consumo. Dar de si completamente, sem hesitar, imagine você na cama e que a cama consome-se ao mesmo tempo que seu corpo é consumido pela cama, tudo é uma troca no consumo, mundo nem muito real nem muito irreal, mas sim ideal, algo confortável de fácil entendimento que todos praticamos. Ela é mesmo tudo que eu almejei querer ter ao meu lado, ela não sabe que eu consumo, ela acorda cedo e cria, talvez vez ou outra ele consome, eu sou consumo que consome tudo. 

Como você faz falta.

sábado, 14 de março de 2026

De você para quem

Da ultima vez que eu vi, ja não sei quando foi e também não sei onde era, talvez fosse num bairro que já não me lembro o caminho; são tantos os bairros em quais já me perdi, do que adianta tentar lembrar daquilo que já não é. Queria lembrar daquilo tudo, mas o sonho confuso é tudo que tenho e ainda assim só satisfaz quando durmo, o mais engraçado é que fui eu que fiz isso tudo.

Parece que esqueci como sentir ou como chegar naquele lugar que faz sentir, não peço ajuda a ninguém porque não conheço ninguém, não reconheço o espelho, visto as mesmas roupas, aquela camisa que me deram e fico me indagando questões inúteis que no fim só me fazem sentir menos e menos a cada semana que passa e eu nem percebo. 

Tomo café não porque preciso mas sim porque a rotina clama que é preciso se não minhas paredes gástricas se dissolvem e eu morro, mas que diferença faz se eu vivo na hiper-realidade da minha cabeça que se mata e no fim não lembra de mais nada. 

Enquanto a vela derretia no quarto gelado o senhor A.M espreitava por uma fresta que havia em sua porta velha, observava a vida lá fora, os ...